Quando desejamos, sentimos. Quando escolhemos, julgamos

Existe uma diferença silenciosa entre desejar alguém e escolher alguém.

Quando pensamos em uma pessoa que mexe conosco e alguém por quem sentimos atração, carinho ou até desejo e não imaginamos exatamente seu corpo, seus traços ou seus detalhes físicos. A mente não projeta uma fotografia. Ela projeta uma sensação. É como se a presença da pessoa fosse sentida por dentro, não vista por fora.

O sentimento antecede a imagem.

Entretanto, quando estamos à procura de alguém, o processo parece se inverter. Observamos aparência, avaliamos detalhes, percebemos supostos defeitos, comparamos padrões. Julgamos antes de sentir. Escolhemos com os olhos.

E ainda assim, curiosamente, muitas vezes acabamos nos envolvendo com alguém que não corresponde exatamente aos padrões que antes dizíamos ter. Aceitamos imperfeições que, à distância, talvez fossem motivo de recusa. Por quê?

Porque quando o vínculo nasce, o critério muda.

A emoção relativiza o julgamento. O sentimento reorganiza a percepção. O que antes era analisado como defeito passa a ser apenas parte da pessoa. E ninguém é padrão absoluto e toda aparência é circunstancial, toda imagem é parcial.

Talvez o amor não seja um fenômeno visual, mas experiencial.

Desejar é sentir antes de enxergar.
Julgar é enxergar antes de sentir.
E amar, talvez, seja ultrapassar os dois.

Reflexão de Arllen Philipe R. Santiago

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